Então.

Estava eu, para variar, sapeando por alguns blogs que acompanho já há algum tempo (no caso, o do Marco Aurélio) e me deparo com uma discussão sobre o aborto: ser ou não ser contra, eis a questão.

Ocorre que o Marco deu a opinião dele sobre o aborto em si, dizendo que é contra pelos motivos que alegou e fez um comparativo interessante entre o aborto e o princípio jurídico in dubio pro reo (por favor, vocês têm Google, não me peçam para explicar algo tão simples…).

Eu achei a opinião dele absolutamente válida, já que também sou contra o aborto, entre outros, pelo mesmo motivo que o Marco: ninguém pode afirmar que a vida não começa no momento exato da concepção, então não há como o aborto não ser exatamente a mesma coisa que homicídio, só que mais covarde, já que a vítima não pode se defender.

Até aí, sem problema: o cara tem uma opinião, tem um blog e posta o que quiser no blog dele, como sua opinião, da mesma maneira que fiz agora há pouco. O problema (que dá título a este post) ocorreu na caixa de comentários.

Veja bem: acho que todo mundo tem direito à opinião, mas acho que certas discussões são completamente inúteis, principalmente quando as pessoas não sabem do que estão falando, mas defendem seus pontos de vista como se fossem os únicos corretos.

Foi o que aconteceu na caixa de comentários.

Alguém começou a dizer que é contra a legalização do aborto e outros dizendo que são a favor da legalização do aborto.

Aí você pergunta: Ora, Lontra, por que você negritou (pode falar assim? Não é considerado racismo, não? Ou devo dizer destaquei de forma afrodescendente?) a palavra legalização, acima?

Porque, gafanhoto, não foi sobre isso o post do Marco: ele falou apenas acerca do aborto em si, que somos contra. Ele falou sobre a liberação apenas para ilustrar a situação, mas esse não era o tópico principal. E sim, o aborto e a legalização do mesmo são coisas completamente diferentes.

O fato é que a discussão acerca da legalização ou não do aborto é que é inútil. Primeiro porque o aborto já é legalizado. Tão legalizado que se encontra perfeitamente insculpido no Código Penal, nos artigos 124 a 128, inclusive os casos em que não é considerado crime (artigo 128).

Em segundo lugar, e talvez o mais importante a se considerar aqui, a liberação ou não do aborto indiscriminado não depende de nós. Nós, meros mortais, não temos qualquer relevância nos debates reais, pois quem decide isso é o Legislativo e eles não estão interessados em nossa opinião, o que nos torna ainda mais insignificantes no que se refere à questão mencionada.

Então por que as pessoas ainda perdem tempo discutindo isso? Será que as pessoas realmente acreditam que listas, abaixo assinados e manifestações possuem algum poder de disuasão? Será que o povo brasileiro é tão estúpido a ponto de achar que os Congressistas realmente se importam com o que queremos ou deixamos de querer?

Eu acho que os parlamentares não se importam picas pro que o povo quer, ou Pindorama seria um lugar mais legal, com mais igualdade e menos impostos (outro dia falarei sobre a indescência que é o Imposto de Renda).

Assim, acredito que a internet seria mais bem utilizada se as pessoas parassem para pensar e começassem a discutir sobre em quem votar para o Congresso, pois os caras que estão ali são muito mais influentes para o bem estar da Nação do que o indivíduo que vai ocupar o “mais alto cargo do Poder Público brasileiro”.

(Vou abrir aqui um parêntese e falar sobre o comportamento deplorável dos presidenciáveis do ano passado: todo mundo era contra o aborto e todo mundo se acusava de já o ter praticado. Aliás, o tema era recorrente em praticamente todos os debates e entrevistas que fizeram. Eu pergunto: e daí? O Presidente da República não tem poder para impedir que uma Lei entre em vigor, nem que outra Lei seja revogada. É claro que vão dizer que o Presidente pode vetar uma Lei, e isso é verdade, mas o Congresso tem poder de veto sobre o veto do Presidente, ou seja, ao fim e ao cabo, quem decide se uma Lei entra em vigor ou não é o Legislativo, cabendo ao Presidente da República, representante máximo do Executivo, dar cumprimento à tal Lei, podendo ser severamente punido caso não o faça. Fim do parêntese)

Vejam bem: a questão da “legalização do aborto” (o correto é chamar de liberação indiscriminada do homicídio covarde) não é uma questão que nos diga respeito, a não ser que sejamos parlamentares e eu não sou; o que se deve discutir e debater sempre é o aspecto moral e não o legal, pois, como eu já disse, o aborto é legalizado, só não é indiscriminado.

Então, já que minha proposta é tornar a minha vida um pouco mais útil, continuo o debate realmente proposto pelo Marco Aurélio: sou contra o aborto, pois acredito que a vida material começa no exato momento da concepção. Se alguém discorda, sinta-se livre para comentar o motivo da discordância.

Gostaria apenas de ressaltar, para fins de acaloramento do debate, que discordo completamente dos “especialistas” que dizem que a vida só começa quando há sistema nervoso e/ou circulatório. Digo isso porque minha crença é que os Sistemas mencionados têm início em decorrência da vida já existente, e não para a ocorrência desta.

Que venham os chacais!