Niver. Quinta-feira, Set 24 2009 

Então. A Toca fez aniversário na quarta passada e eu nem lembrei. Nunca imaginei que chegaria aos três anos e que eu passaria quase um ano sem escrever nada. É uma vergonha.

Aliás, é por coisas assim que eu não vejo muita graça em comemorar aniversários: não fiz nada de útil com meu blog o ano todo, o que é que vou comemorar?

Digo isso também pelo meu próprio aniversário, que ocorreu na sexta passada. As pessoas me dão presentes e congratulações. Eu sempre me pergunto: por quê? Por que é que eu recebo parabéns se ainda não consegui conquistar nenhum dos meus objetivos? Por que ganho presentes se não fiz nada de mais o ano todo? Por que comemorar, como dizem em The Big Bang Theory, o dia em que minha mãe me espeliu de seu organismo, como se eu fosse um detrito?

Estou falando sério. Não entendo esse lance de comemorar ficar mais velho, afinal tudo envelhece. Se eu estou fazendo algo que até o mais insignificante ser vivo faz (envelhecer), que mérito tenho eu?

Acredito que nenhum. Ficar mais velho não traz nenhum mérito, disso tenho certeza.

E se permanecer vivo é meritório, então quem morre é burro? É incompetente (sentido vulgar)? Não merece nem nossas lágrimas, quanto mais um belo caixão e um concorrido funeral?

Vocês, mortais, são muito estranhos.

E não me parabenizem por fazer aniversário! Até as pedras ficam mais velhas e não vejo ninguém fazendo festa por isso.

Satan Quarta-feira, Mai 6 2009 

Sempre achei interessante as mitologias existentes no mundo. Sério. Adoro uma mentirinha sobre a formação do universo e essas coisas. A mitologia com a qual eu mais tenho contato é com a mitologia que existe na Bíblia. Todo aquele esquema sobre os sete dias, Adão sendo soprado, Eva saindo de uma costela, Lúcifer sendo expulso do céu, todas essas coisas tão críveis quanto o Ragnarök.

Gosto mesmo e até me divirto com essas coisas. Só que eu gosto de pensar (isso já me torna quase um estrangeiro, aqui em Pindorama) e, sempre que posso, gosto de sacanear um pouco os fanáticos e fazer com que eles fiquem em dúvida sobre o seu fanatismo. Parece meio contraditório, não? Mas não é. Continue lendo e você entenderá.

Já mencionei meu gosto pelo Gênesis, certo? Toda a “história” da expulsão de Lúcifer é o que mais me impressiona no povo de hoje em dia. Acho que Lúcifer é um pobre diabo (perdão pelo imperdoável “xiste”), que foi tremendamente injustiçado. Ah, você não sabe sobre o que estou escrevendo? Passo a resumir a lorota, então.

Lúcifer era um dos anjos que ocupava o mais alto cargo da hierarquia celeste, perdendo apenas para o Senhor Dos Exércitos, Deus Todo-Poderoso (tira o hífen ou deixa o hífen?). O cara era chegado do Hômi e até de braço direito já o chamavam. Pois deu-se o caso de o senhor Lúcifer querer destronar Deus e foi aquele rebuliço: Deus ficou bravinho, desfigurou Lúcifer e o baniu dos planos celestes, condenando-o ao inferno.

Eis o Relatório. Passo a opinar.

Acho legal esse lance de sempre colocar o bem e o mal em confronto e acho ainda mais legal a necessidade que os mortais têm de fazer com que o bem sempre vença. Sério. O otimismo é um sentimento realmente admirável. Mas não é sobre isso que vim falar.

Vim, na verdade, expressar o meu descontentamento com a mencionada versão oficial dos fatos. Estou descontente porque há aí uma tremenda injustiça com o Lúcifer. Que injustiça, você pergunta. E eu respondo no próximo parágrafo.

Lúcifer era um revolucionário. Por que? Ora, Deus é único, Todo-Poderoso e governa o universo sozinho. Até que tem feito um trabalho bem razoável para os meus padrões de qualidade ISO. Só que todo mundo tem que concordar que o Cara é um ditador. Um Ditador Supremo, mas, ainda assim, um ditador. E ninguém gosta de ditadura, pois é um regime sem liberdade e todo mundo sabe que liberdade é extremamente importante.

Como eu ia dizendo, Lúcifer foi um revolucionário, pois teve a coragem de armar um Golpe de Estado a fim de levar o povo ao Poder. E quando eu digo levar o povo ao poder eu não estou brincando. Duvida? Vamos a uma etimologia (não oficial, pois só vou falar com base em observações).

Que nome se dá ao “governo do povo”? Salvo engano o nome dessa utopia é Democracia. Todo mundo é a favor da democracia, certo? Certo. Por minhas observações, cheguei à seguinte conclusão: os sitemas de governo têm, em regra, o termo “cracia” (e.g. aristocracia, que é o “governo dos eleitos” [não no sentido de eleição como conhecemos, mas de escolha dos mais aptos e capazes], salvo engano). Eu presumo que “cracia” se refira, então, a governo. Se em democracia o termo “cracia” é governo, então “demo” só pode ser povo (o que explicaria o termo “explosão demográfica”, que representa um aumento significativo da população [povo] em curto espaço de tempo).

Então concordamos que “demo” é sinônimo de povo? Claro que sim, afinal não dei opções. Lúcifer é conhecido também como Demônio (olha o “demo” aí outra vez… Embora Demônio esteja mais ligado a Daimon, que significa “divindade” ou “inteligência”) e só posso chegar à conclusão de que tal apelido se deve à tentativa de entregar o Poder ao Povo. Então Lúcifer tentou estatuir a Democracia por meio de um golpe, por isso é que ele é um injustiçado. Não o é porque foi punido por sua tentativa (afinal quebrar as regras é crime e deve ser punido), mas é injustiçado porque o povo, que ele tanto defendeu, concorda com a pena que lhe foi imposta.

É até uma hipocrisia dos monoteístas em geral, já que a maioria é a favor da democracia (católicos, protestantes e judeus), mas esquecem isso quando se fala nos planos celestes. Qual é? Cadê a coerência, meu povo?

É por essas e outras incongruências que não faço parte de nenhuma das seitas mencionadas. Os caras têm preguiça de pensar. Se todos pensassem bem chegariam, inevitavelmente, à conclusão que a democracia (governo do povo) é um meio interessante de se governar, afinal seria tudo muito menos arbitrário. Ou vai me dizer que a obrigação de morrer é uma opção. Pode ser para os suicidas, mas eu não sou um deles e encaro esse momento como uma obrigação mesmo.

Eu escrevi tudo isso só para cutucar mesmo, pois, em verdade, eu não acredito em muito do que a Bíblia diz. Lúcifer, para mim, é só um nome e um nome legal pacas, afinal o negócio significa “portador da luz”.  Eu não acredito que exista uma entidade maléfica que adota esse nome e acho que crendices e superstições são a marca da burrice. Acho mesmo!

Grandes abraços e que venham os comentários sedentos de sangue.

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