Dos Universi(o)tários… sexta-feira, out 28 2011 

Opa, boa tarde a você, meu amigo, minha amiga, que por algum monstruoso acaso do destino caiu neste buraco perdido deste ambiente eletrônico aparentemente infindável que é a internet.

Agradeço a visita. Não faço questão de comentários ou qualquer forma de interação. Vim aqui apenas para escrever sobre um fato do momento e isso é o que passo a fazer, mas apenas a partir do próximo parágrafo.

Então, deu-se o caso que uns alunos foram abordados e apreendidos na USP por estarem na posse de maconha. Até aqui, nada demais, é o procedimento padrão quando se encontra um imbecil que faz uso de drogas ilícitas.

O problema é que alguns outros imbecis resolveram puxar briga com a PM em defesa dos bandidos maconheiros, sendo que, segundo os próprios vagabundos, a abordagem da PM foi isenta de qualquer exagero, ou seja, os PM’s cumpriram seu papel e ninguém saiu machucado.

Infelizmente a história não acabou aí.

Quando alguns universiotários estavam protestando contra a prisão (que nem prisão foi, de verdade…) dos bandidos usuários de drogas, a PM foi chamada para não deixar virar a mesma palhaçada que aconteceu pela USP em outros tempos, com playboyzinhos metidos a revolucionários ocupando prédios públicos e exigindo que o então governador José Serra deixasse de interferir nas Universidades Paulistas.

Daquela vez os alunos estavam errados e desta vez também. Começo a enxergar um padrão nas manifestações feitas na USP.

Os PM’s estavam lá, fazendo seu trabalho, contendo a multidão de idiotas, quando, justamente da multidão de idiotas, alguém teve a brilhante idéia de jogar um cavalete nos policiais. É óbvio que isso é um ato de agressão e é mais óbvio ainda que a PM ia reagir e provocar a dispersão dos alunos, o que, certamente, não seria com pedidos de por favor, mas, sim, com armamentos não letais que, penso, causariam danos físicos a qualquer ser humano, como de fato causaram.

Uma pessoa dotada de bom senso jamais faria parte de uma manifestação tão idiota, já que a PM estava certa e os bandidos maconheiros estavam errados. Entretanto, por exercício de retórica, vamos imaginar que, no calor do momento e por alguma informação desencontrada, aquele grupo que enfrentou a polícia fosse dotado de bom senso.

Como eu dizia, pessoas com bom senso, depois de serem escorraçados pela PM, iriam para suas casas, tomar um banho, refletir sobre o que ocorreu e perceber que, sim, eles mereceram as bordoadas que levaram porque não houve nada de errado com o procedimento dos policiais. Havia gente com drogas ilícitas, foi feita a apreensão. Havia uma multidão ensandecida agredindo os policiais, foi feita a dispersão.

(E não, eu não acho que houve excesso de violência, pois toda a violência contra arruaceiros é pouca.)

Mas, voltando ao assunto, não havia pessoas de bom senso naquele grupo, o que se percebe pelo simples fato de terem feito uma manifestação por um motivo tão ridículo. Depois da surra que levaram da PM o que eles fizeram? Se você respondeu que eles provaram ser ainda mais estúpidos do que se pensava, pois invadiram a sala da administração da FoFoLeCHe (Faculdades de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e não querem sair de lá, então você acertou. Será que todo o pessoal da USP é imbecil daquele jeito ou é privilégio da Filosofia? Fala sério…

Após a invasão, os bandidos (agora também foram alçados a esse patamar…) ainda fizeram exigências para sair e colocaram faixas e cartazes ao redor do prédio.

(Aqui cabe um parêntese bem grandão, pois alguns dos cartazes continham frases que demonstram toda a superioridade cultural e intelectual dos alunos de universidades públicas (que se acham melhores que aqueles de instituições particulares…), como, por exemplo, em um cartaz onde se lê, e realmente sinto imensa dor ao transcrever tamanha abominação, o seguinte: “OS POLICIAIS NÃO SÃO TRABALIADORES SÃO O BRAÇO ARMADOS DOS EXPLORADORES”. Grifos inexistentes no original, penso. Duvida? Clica.)

Eu não sei você, leitor ou leitora, mas eu sinto vergonha do povo brasileiro toda vez que leio esse tipo de notícia. Não só os erros ortogramaticais (que todo mundo pode cometer, afinal a língua portuguesa é uma colcha de retalhos assimétricos…), mas, principalmente, pelas atitudes daquilo que vai ser o futuro do Brasil.

E quando falo de futuro, isso é sério, pois ali estão futuros filósofos, professores (pessoal das Letras, senti vergonha por vocês naquele cartaz, hein…) e uma boa galera das humanas, que engloba quase todas as áreas do governo, é bom que se ressalte. E nosso futuro é, na melhor das hipóteses, medíocre.

Sim, porque nós temos alunos das Letras escrevendo “trabaliadores” e não acertando uma simples concordância de número, mas, acima disso, nós temos um preconceito que não sei de onde vem. Como assim a polícia é um braço armado de exploradores? Quem são os exploradores? Vai dizer que vocês acham que o capitalismo é explorador? Dá uma olhada nos países não capitalistas e me diz se há propriedade privada, sobretudo intelectual. Exploração é o que os governos socialistas fazem com seu povo, onde tudo o que uma pessoa inventa, cria ou produz pertence, inexoravelmente, ao Estado. Mas tergiverso.

A polícia é o braço armado do Estado (aqui grafado com letra maiúscula para englobar todo o Poder Público) e, no caso específico da PM, serve para a manutenção do status quo social, bem como para a prevenção kaj repressão ao crime.

Até onde eu vi, foi exatamente isso que a PM fez lá na cidade universitária: reprimiu o crime dos maconheiros safados e também dos arruaceiros. Não vejo problema nisso, afinal há que se manter a ordem. Aliás, em nosso Estandarte, Ordem vem antes de Progresso e isso não está lá por mera questão alfabética, posso garantir.

Voltando a falar dos arruaceiros. O que eles querem agora, para sair da FoFoLeCHe? Querem que os bandidos maconheiros presos sejam libertados, querem que o Reitor seja substituído e querem que a PM feia, boba e cabeça de mamão deixe de patrulhar a cidade universitária.

Bem, quanto ao primeiro pedido, já foi concedido, afinal os drogados safados não estavam realmente presos, então já estão em casa, contribuindo para o crime organizado com seu uso e apoio às drogas psicotrópicas.

O segundo pedido é um problema administrativo e cabe à comunidade universitária (corpo discente e docente) decidir sobre a questão, afinal a USP é grande pakas e não tenho muita certeza que apenas 300 alunos de um único Diretório (vamos chamar assim para facilitar) expressem a opinião da maioria, então isso é questão para outra discussão. Ainda assim não é razão que justifique uma invasão a um prédio público.

Já o terceiro pedido, este, sim, é um absurdo completo. Eu nem vou me alongar explicando todos os detalhes que me levaram a essa conclusão. Clica e me diz que eu tô errado.

Clicou lá? Leu a matéria toda? Então pode ler o próximo parágrafo.

Agora, acompanha o raciocínio: se foram os próprios alunos da USP que exigiram mais segurança, por que agora que o Governo atendeu à exigência eles não querem mais? Não sei e não consigo encontrar qualquer lógica que me leve a entender a questão.

Aliás, tem uma coisa, sim, que eu estou pensando. Vontade de aparecer. Só pode ser isso. Os caras querem tanto aparecer que não importa o fato de estarem fazendo a maior estupidez do mundo, interessa apenas ficar famoso. É mais ou menos como entrar na seleção para o BBB: você vai ser para sempre lembrado pelo seu pior, mas vai ser sempre lembrado. Ou não, como diria Caê.

O fato é que a PM está lá para dar segurança àqueles imbecis, mas, também, e principalmente, para dar segurança à sociedade. Como se faz isso? Atrapalhando o comércio de drogas ilícitas.

Os alunos apreendidos aparentemente acham um absurdo serem escoltados à delegacia por estarem portando apenas uma quantidade “ínfima” de maconha, para uso pessoal. Esquecem que a Lei não determinou quantidade máxima permitida; um mícron de maconha é uma quantidade ilícita e, portanto, aquele que porta esta porção irrisória está, sim, cometendo ato ilícito. O que é ilegal não é a quantidade, mas o produto em si.

Sim, eu acredito que a maconha, juntamente com todas as outras drogas ilícitas, são as culpadas pela crescente violência no País e isso porque nunca vi um só estudo que provasse que eu estou errado. O tráfico alimenta a violência, mas quem alimenta o tráfico? Os drogados. Ao fim e ao cabo, todo aquele que faz uso de drogas ilícitas está contribuindo para a violência.

E não me venham com o papinho de que o álcool causa mais estragos que outras drogas, porque esse solilóquio apacentador de bovinos não cola mais. Também sou contra a venda de bebidas e acredito que o mundo seria bem melhor se nenhuma droga existisse, mas dizer que a culpa do tráfico é do Governo que não legaliza as drogas é papo de bandido e de quem já perdeu a noção da realidade pelo abuso de drogas. O tráfico vai existir com ou sem legalização, porque o que faz com que o tráfico exista é Lei de Mercado: onde há demanda, haverá oferta.

Por fim, mas não menos importante, sempre que vejo manifestações imbecis pela televisão agradeço por eu não ser o responsável por aquilo lá, pois, se dependesse de mim, chamaria logo o Nascimento e acabaria com essa invasão de imbecis, afinal estão tomando posse irregularmente de imóvel pertencente ao Estado e atrapalhando o bom andamento do serviço público. Se bem que hoje é feriado, então ninguém está realmente trabalhando por lá.

O fato é que eu soltaria, numa boa, a tropa de choque em cima desses bandidos arruaceiros. Talvez um dia eles aprendam que estão do lado errado nesta discussão e que baderna não condiz com uma sociedade organizada. Sim, toda manifestação, passeata e quetais é baderna. Ponto.

Grande abraço a todos, menos aos bandidos da USP. A estes últimos, minha eterna piedade por sua inferior compleição intelectual.

Dos assuntos diversos. quarta-feira, mar 16 2011 

Ocorreu mais um desastre natural, desta vez no Japão. Tsunami, terremotos, vazamentos nucleares (embora isso não seja culpa exclusiva da natureza).

É bom lembrar que a gente teve desatre natural por aqui também (enchentes e deslizamentos no Rio de Janeiro, alagamentos em várias partes do País, o escambau…).

Todo mundo sofrendo, a mídia noticiando tudo minuto a minuto e as pessoas agindo de formas estranhamente diferentes.

Aqui no Brasil (e nos States, em New Orleans, alguns anos atrás), logo após a catástrofe o que se viu foi um pandemônio: todo mundo revoltado, em desespero, saques a supermercados e aumento de crimes em geral. O povo todo destruindo lugares que ficaram em pé, protestando contra a demora do governo em enviar ajuda.

O negócio foi tão barra pesada que o prefeito de Nova Orleans teve que declarar Lei Marcial, dizendo, com todas as letras, que os policiais não precisariam se preocupar com direitos civis para deter os saqueadores.

No Brasil isso não aconteceu (a Lei Marcial, digo), mas aconteceu pior. No desastre ocorrido em Santa Catarina, em 2008 (se não me falha a memória) houve quem aproveitasse as vultosas quantias de donativos para pegar uma ou outra coisinha para si. E não estou falando daquelas pessoas que perderam tudo ou quase tudo não. Não. Quem praticava os furtos eram as pessoas responsáveis pela distribuição das doações (soldados ou voluntários).

Ou seja, no Brasil a Lei de Gérson é levada tão a sério que ninguém se importa, realmente, com o sofrimento dos outros, desde que possa levar alguma vantagem.

Mas e o Japão?

Ah, o Japão é outro mundo. Acompanhei emocionado, outro dia, a distribuição de alimentos por lá. Nada de helicópteros jogando coisas (como no Haiti e Malásia), mas tudo organizado, com fila e cada um pegando apenas a parte que lhe cabe.

É lindo ver que ninguém tenta furar a fila ou fazer amizade com os distribuidores para pegar um pouquinho a mais. Não, isso não acontece porque eles sabem que se uma pessoa receber mais do que o devido, outra pessoa vai receber menos e, por mais que eles não se declarem cristãos, é exatamente o tipo de atitude que O Grande Hippie aplaudiria de pé.

No Brasil não. Os brasileiros são tão burros que esquecem completamente do outro, desde que possa levar vantagem (Gérson outra vez…). No Brasil não havia filas, havia multidões desorganizadas quase sufocando os distribuidores (no Haiti e em New Orleans também…).

Acho que é por isso que não acontecem desastres de grandes proporções no Brasil (só algumas cidades são atingidas por vez, em vez do País inteiro): o Brasil não é atingido por um cataclisma simplesmente porque não sobraria nenhum humano vivo (talvez os políticos, mas não os considero de todo humanos).

E não, os desastres que vêm acometendo Pindorama (SC, RJ e outros menos falados) não são desastres naturais propriamente ditos. São, em sua maioria, reflexo da burrice do brasileiro, que insiste em desmatar tudo e morar em pé de morro, sendo que qualquer um com o mínimo raciocínio lógico sabe que a água da chuva, quando atinge o solo, tende a descer (gravidade, já ouviram falar?). Mesmo assim, insistem em edificar coisas no exato caminho por onde a água vai passar. É burrice ou não é?

Óbvio que a maior parcela de culpa é dos governantes (todos eles, não se iludam…), que preferem aumentar seu “curral eleitoral” abrindo caminho na natureza, onde não há espaço para tal ocupação. Aí todo mundo diz que tal político é bom, porque proporcionou moradia para as classes mais baixas. Nós sofremos com esse problema aqui no Planalto Central, pois o Roriz favelizou o Distrito Federal, regularizando um monte de invasões. E é heroi para esse povo. Bandido para o resto de nós, mas heroi para eles.

Assim também é o caso do Rio de Janeiro: as favelas foram criadas para acomodar a população mais carente e a ocupação dos morros foi ratificada (em alguns casos até incentivada) pelos políticos de lá. Aí o povo aplaude quando ganha casa nova, mesmo que seja no morro. Depois reclama que o governo não dá estrutura. Claro que não. Quem tem poder de parar a natureza? Nem os Estados Unidos e o Japão, superpotências, anos-luz à frente do Brasil conseguiram aplacar as forças naturais, será mesmo que esse povo é tão burro que pensa que o governo tem alguma condição de evitar as tragédias?

Na verdade tem sim: basta não permitir que ocupem os morros. Mas como os políticos se manterão no poder se não houver gente que não pensa no bem estar social para votar neles? Se só houvesse, no DF, pessoas com bom nível intelectual, o Roriz não ganharia eleição nem para síndico, quanto mais para Governador! O mesmo se aplica a todo o resto do País. Gente desqualificada ganha eleição porque gente desqualificada vota.

***

Ok, a discussão tomou rumos não esperados ou desejados.

O foco que se deve manter é: no Japão as coisas funcionam, mesmo em uma catástrofe, porque o povo de lá sabe que o bem estar social suplanta o bem estar individual. Enquanto o Brasil não aprender essa lição tão óbvia e simples (sim, porque quando a sociedade está bem, os indivíduos também estarão) não há a menor possibilidade de sobrevivência a algum cataclisma, ou mesmo de evolução (econômica, tecnológica e tudo o mais…).

E, galera, o mundo está mudando e o fim do mundo como o conhecemos está próximo. Arrependei-vos, porque é chegado o tempo. (pff, KKKKKK!)

Agora sério. Num País em que mais de 90% de sua população se declara cristã, o mínimo que se poderia esperar é que houvesse respeito para com os próximos (não precisa do amor ao próximo, porque amor é algo complexo, mas o respeito já seria bom).

E como se faz isso, esse negócio de respeitar o próximo?

A pergunta é válida, já que, depois de Gérson, ninguém mais sabe como fazer isso. É muito simples: basta pensar antes de agir e, antes de fazer ou falar qualquer coisa, coloque-se no lugar do outro e veja se há a possibilidade de alguém sair prejudicado por sua ação. Pronto. Quando as pessoas conseguirem só fazer aos outros o que gostariam que os outros lhes fizessem, então poderemos sobreviver a um desastre real, algo de grandes proporções.

Pense nisso.

Boa sorte aos habitantes do Japão, pois pessoas que pensam nos outros antes de si merecem tudo de bom.

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